
André Breton, numa das máximas sobre o surrealismo, disse que era importante não separarmos a arte da vida, pois arte e vida são uma coisa só. Isso é possível ainda hoje?
É uma idéia muito justa. André Breton, a quem tive a honra de conhecer pessoalmente, tinha, assim como os surrealistas, a idéia de que a poesia devia ser vivida. Isso significa que a arte não é um luxo, lazer ou divertimento. A arte nos fala de nós mesmos, dos problemas de nossa vida. Se tomarmos, por exemplo, a última obra de Beethoven, no final, ele quis escrever o sentido de sua música. Ele escreveu "Mussen es seinen? Es mussen sein" ("É possível todas as tragédias da vida, todas as dores da vida, todas as dificuldades da vida? Sim, é possível"). A primeira frase é a revolta contra o destino e a segunda nos diz que é preciso aceitá-lo.
Beethoven nos deixa diante de suas contradições. Cada um de nós deve se revoltar contra o destino e aceitá-lo ao mesmo tempo.


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