25/09/2008

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25/09/2008
Richard Schechner (2003), um dos pesquisadores e professores do departamento de Performance Studies, da New York University, associação filiada aos estudos da arte da performance, apresenta oito tipos de situações em que essa linguagem artística ocorre:

1. na vida diária, cozinhando, socializando-se, apenas vivendo;
2. nas artes;
3. nos esportes e outros entretenimentos populares;
4. nos negócios;
Revista Ohun, ano 4, n. 4, p. , dez 2008 ISSN 1807-595479
5. na tecnologia;
6. no sexo;
7. nos rituais – sagrados e seculares;
8. na brincadeira.

Schechner também atribui sete funções para a performance: “entreter; fazer alguma coisa que é bela; marcar ou mudar a identidade; fazer ou estimular uma comunidade; curar; ensinar, persuadir ou convencer; lidar com o sagrado e com o demoníaco”. Por fim, afirma que “qualquer comportamento, evento, ação ou coisa pode ser estudado como se fosse performance e analisado em termos de ação, comportamento, exibição.” (SCHECHNER, 2003, p.39).

" A performance é uma pintura sem tela, uma escultura sem matéria, um livro sem escrita, um teatro sem enredo ... ou tudo isso ...". (SHEILA LEINER)

“O artista necessita de uma prática mental e ao mesmo tempo física para sua realização, da mesma forma que o espectador necessita de um certo treinamento para encarar o novo. Muitas imagens são oferecidas a um público que vive a ficção de seu próprio corpo, que se apresenta de uma forma imposta por rituais sociais estabelecidos. Frente a essa ficção, os artistas vão apresentar, em oposição, um corpo que dramatiza, caricaturiza, enfatiza ou transgrida a realidade operativa.” (GLUSBERG, 1987).

"....Na Performance há uma acentuação muito maior do instante presente, do momento da ação (o que acontece no tempo real). Isso cria a característica de rito, com o público não sendo mais só espectador, e sim, estando numa espécie de comunhão. A relação entre o espectador e o objeto artístico se desloca então de uma relação precipuamente estética para uma relação mítica, ritualística, onde há um menor distanciamento psicológico entre objeto e o espectador."(...)" Na performance a intenção vai passar do que para o como. Ao se romper com o discurso narrativo, a história passa a não se interessar tanto, e sim como "aquilo" está sendo feito. Essa intenção reforça uma das características principais da arte de performance, que é o de reforçar o instante e romper com a representação". (RENATO COHEN)

...Da transição do happening a body art (em, Arte da Performance - Jorge Glusberg, página 39):

"Em se tratando do meu corpo ou de algum outro, não tenho nenhum outro modo de conhecer o corpo humano senão vivendo-o. Isso significa assumir total responsabilidade do drama que flui através de mim, e fundir-me com ele".
(MERLEAU-PONTY)

“A súmula de uma performance reside precisamente no binômio ação/reação. E aqui se aplica o pensamento de Marcel Duchamp quando afirmava que “O artista estabelece sozinho o ato de criação, pois o espectador estabelece o contacto da obra com o mundo exterior, decifrando e interpretando suas qualificações profundas, e, agindo desta forma, acrescenta a sua contribuição ao processo criativo”. Entre o operador estético e o público existe uma relação empática direta, pela participação deste no trabalho daquele, onde o feedback poderá, inclusive, modificar o próprio rumo de ação, alterando sempre o seu significado. Como a leitura da performance dá-se em simultâneo com o seu desenrolar, e como a reação dá-se sincronicamente com a leitura, o feedback é imediato, passando por vezes, o consumidor a ser também o produtor e vice-versa.” (FERNANDO AGUIAR)

"Performance é uma linguagem de corpo presente. Corpo presente no espaço. Corpo presente no tempo. Corpo presente ao outro". O performer re-significa comportamentos e gestos através de suas ações com o corpo. “ (ALICE STEFANIA)

“A arte da performance não tem fronteiras definidas, por isso ela se alastra em diversas direções interferindo e mesclando-se com qualquer linguagem artística ou científica desde que possibilite a ela e seus performers, desenvolver seu processo artístico.” (DENISE SCHAEFER)

"... A arte da performance é por natureza uma arte mediática, das revoluções de suporte, operadora dos trânsitos e passagens contemporâneas". (RENATO COHEN)

"... a performance como linguagem redefine a própria noção de linguagem artística. Ela nos obriga a repensar nossa noção de arte e indica o caminho dos híbridos como hipótese possível para a arte contemporânea. Mas, não apenas um híbrido de linguagens, se não um híbrido de área de conhecimento". (ANDRÉ CARREIRA)

"O público é sempre voyeur, mas é importante que interaja com a obra" (...) "Só nunca pediria às pessoas que fizessem o que eu faço, porque ali só eu estou no comando, sei dos meus limites." (...) "Para chegar ao grau mais alto de consciência, é preciso experimentar a dor. O público fareja insegurança, então a performance é aqui e agora. No final, a dor é só uma invenção." (ABRAMOVIC)

“Performance é uma ilusão da ilusão e, como tal, deve ser considerada mais crível, mais real do que a experiência ordinária.“ (SCHECHNER, [1977] 1988)

“Na arte corporal e de performance a figura do artista é ferramenta para a arte. É a própria arte.” (GREGORY BATTCOCK)

“Artista, obra, público são elementos estéticos da performance. O quarto elemento estético é o tempo. A performance artística se dá no tempo, sua efemeridade é condição. Os registros permanecerão registros, e, por permanecerem, estarão semi-mortos, ainda que capazes de leves ressonâncias. Os registros são apenas obscuro reflexo, eco ensurdecido de um prazer para sempre estancado.” (MARIA BEATRIZ DE MEDEIROS)

“A ação é verdade. Nada do que foi registrado é verdade. Nada do que foi dito é verdade. Somente a ação”. (definição de arte da performance divulgada pelo artista JACK BOWMAN num flyer distribuído no Cleveland Performance Art Festival, um dos eventos desse gênero ao lado das significativas pesquisas e mostras do Performance Studies, na América do Norte)

“Devido à efemeridade e a característica de arte híbrida dessa linguagem, definir, conceituar ou classificar performance é para muitos teóricos uma tarefa árdua e até mesmo impossível. (...) No entanto, o que mais importa para muitos artistas performáticos não são as definições, os conceitos, muito menos as classificações e teorias relacionadas à arte da performance. A ação é o mais importante, o ato de elaborar, exibir, e, sempre que possível ou necessário, “performar”.” (ZÉMÁRIO)

“Tentar escrever sobre o evento indocumentável da performance é invocar as regras do documento escrito e, logo, alterar o evento em si mesmo” (PHELAN, 1997, p.173).

“A body art é primariamente pessoal e privada. Seu conteúdo é autobiográfico e o corpo é usado como o corpo próprio de uma pessoa particular e não como uma entidade abstrata ou desempenhando um papel. O conteúdo dessas obras coincide com o ser físico do artista que é, ao mesmo tempo, sujeito e meio da expressão estética. Os artistas eles mesmos são objetos de arte”. (SANTAELLA, 2003, p.261).
“A performance, num sentido estritamente ontológico, é não reprodutiva. E é essa qualidade que faz da performance o parente pobre das artes contemporâneas. A performance estorva os maquinismos suaves da representação reprodutiva necessários à circulação do capital.” (PHELAN, 1997, p.173).

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